(Paulo Pinto/FotosPublicas)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que foi libertado após ser beneficiado por uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), realizou um discurso neste sábado (9) no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), e fez duras críticas contra o governo de Jair Bolsonaro, o ex-juiz Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato.

Apesar de ter afirmado ontem (8) que saiu da prisão sem ódio, o líder petista subiu o tom e reforçou ainda mais a polarização política no país.

Em seu discurso, iniciado pouco antes das 15h (horário local), Lula atacou a imprensa brasileira, principalmente as emissoras Globo, Record e SBT.

“Lá em cima tá o helicóptero da rede Globo de televisão para falar merda de novo sobre Lula e sobre nós”. “A TV do Silvio Santos é uma vergonha, a Record é uma vergonha, e a Globo continua a mesma vergonha. A Globo ate agora não colocou uma matéria do Intercept. A única matéria que ela fez foi pra defender o Faustão, que foi dar aula para o Moro”, afirmou.

O ex-presidente ainda voltou a criticar seus principais adversários, incluindo o ministro da Economia, Paulo Guedes, e Bolsonaro.

“Durmo com a consciência dos homens justos e honestos. Eu duvido que o Moro durma com a consciência tranquila que eu estou. Eu duvido que o Deltan durma com a consciência. Eu duvido que o Bolsonaro durma com a consciência tranquila que durmo. Eu duvido que o destruidor de empregos Guedes durma com a consciência tranquila que durmo. E digo: eu estou de volta”, afirmou.

Ao se referir à Lava Jato, Lula ressaltou que precisa “provar que Moro não era um juiz, era um canalha” que estava julgando-o, além de precisar “provar que o Dallagnol não representa o Ministério Público, que é uma instituição séria”. “Ele montou uma quadrilha”, completou.

Em seguida, o ex-mandatário disse que Bolsonaro “chegou a confessar que ele devia as eleições ao Moro. Na verdade, ele deve ao Moro, ele deve aos juízes que os julgaram e à campanha de fake news que fizeram contra o companheiro Fernando Haddad e à esquerda deste país”.

Durante sua fala, o petista ainda chamou Guedes de “destruidor de empresas públicas” e criticou a política econômica do governo, em especial a reforma da Previdência, o aumento do salário mínimo e a taxa de desemprego.

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“A taxa Selic caiu mas o spread bancário não caiu”, disse Lula, querendo saber se o juros do cartão de crédito caiu. Já em relação a Bolsonaro, Lula ressalta que o presidente foi eleito de forma democrática para governar o país, e não para as milícias do Rio de Janeiro.

“Não é a gravação do filho dele que vale, uma perícia séria tem de ser feita”, se referindo ao sistema da portaria do condomínio em investigação no caso da morte da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, em março do ano passado.

“A gente tem que ter a seguinte decisão, esse país é de 210 milhões de habitantes e a gente não pode permitir que os milicianos acabem com esse país que nós construímos”, acrescentou.

Em seu discurso de 45 minutos, o ex-chefe de Estado citou o polêmico vídeo das hienas e disse que Bolsonaro é um “leão velho”.

“As hienas, os leões, aquele leão velho, todo escarafunchado. Tem que ser um leão novo assim como eu. Tá certo que a juba tá um pouco derrubada”. Lula pediu resistência, luta e união da esquerda e ressaltou que nas eleições de 2022 “a chamada esquerda, que o Bolsonaro, tem tanto medo vai derrotar a ultradireita que nós tanto queremos derrotar”.

O encontro com líderes petistas e aliados de outros partidos de esquerda contou com a presença do ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, de Guilherme Boulos (MTST), o fotógrafo oficial de Lula, Ricardo Stuckert, entre outros.

Política Externa 

Neste sábado, o líder petista ainda falou que os brasileiros precisam seguir o exemplo do Chile e da Bolívia, e devem “resistir”.

Segundo ele, os cidadãos têm que “atacar. Não apenas se defender”. Milhares de pessoas nos dois países foram às ruas em protestos contra seus respectivos governos.

Por fim, Lula criticou o encontro entre Bolsonaro e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohammed bin Salman, que foi elogiado pelo presidente brasileiro. “Esse príncipe matou e esquartejou e fez carne moída de um jornalista”, afirmou Lula.

O petista lembrou o episódio da morte do jornalista saudita Jamal Khashoggi, crítico do governo e colunista do Washington Post. Ele foi assassinado e esquartejado após entrar no consulado da Arábia Saudita em Istambul, e seus restos mortais nunca foram encontrados.

O príncipe herdeiro saudita assumiu há poucas semanas a responsabilidade em nome do país, mas negou envolvimento direto no assassinato.

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