Curva de juros inverte nos EUA e reforça alerta de recessão; entenda por quê
Estados Unidos

SÃO PAULO – Não é de hoje que os investidores temem uma recessão nos Estados Unidos em breve. E nesta quarta-feira (14) mais um fator passou a pesar nesta avaliação, com uma nova inversão na curva de juros do país.

Hoje, os títulos do Tesouro americano de 10 anos passaram a negociar abaixo dos juros das Treasuries de dois anos pela primeira vez desde 2005. Em março, esta inversão já havia acontecido entre os títulos de 10 anos e três meses. Neste cenário, o mercado elevou de 4% para 22% a aposta de um corte de 50 bps na próxima reunião do Fomc.

A ideia de que esta inversão indica uma recessão ocorre porque a curva de juros está diretamente relacionada à expectativa de inflação. Ou seja, o yield (rendimento) de longo prazo tende a ser maior que o curto porque a expectativa “normal” é que a economia cresça, e com isso a inflação também avance.

Neste cenário, se o título de curto prazo agora está maior, é sinal de que o mercado está precificando que a inflação de longo prazo será menor do que está hoje, mostrando que sua expectativa é que a economia americana não vá crescer.

“Normalmente a taxa do título mais longo oferece um retorno maior, como uma maneira de compensar o risco de longo prazo. Contudo como vemos hoje que o título de curto prazo pagando mais que o de longo prazo, podemos concluir que há mais risco num título de curto prazo do que no de longo prazo, ou então que a economia precisará de constantes estímulos ao longo deste intervalo de tempo”, avalia a equipe da Rico Investimentos em relatório.

Sobre um possível impacto no mercado brasileiro, os analistas da Rico avaliam que ainda não é momento para entrar em pânico e vender ações. “A situação lá fora é preocupante, mas ainda vemos no Brasil um enorme potencial de valorização”, diante da combinação de “reformas estruturais recuperação da economia juros baixos por muito tempo”, afirmam.

Os rendimentos de longo prazo despencaram este mês, em meio à guerra comercial e fraco crescimento do PIB, que se aliam ainda às expectativas de inflação baixas e ações mais agressivas dos bancos centrais, reduzindo o juros, o que levou a uma fuga dos investidores para ativos mais seguros.

No cenário pós-Segunda Guerra Mundial, as inversões da curva de juros previram sete das últimas nove recessões, de acordo com Sung Won Sohn, professor de economia da Universidade Loyola Marymount e presidente da SS Economics.

“Este é um histórico que qualquer economista se orgulharia”, disse Sohn à CNBC. “Se a inversão começou hoje, a economia pode estar em recessão dentro de um ano”, avalia.

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